"Eu me viro bem com a solidão." É?
O meu lema até um dia desses era: "Eu me viro bem com a solidão", e de certa forma me virava muito bem, sim! Nunca tive problemas de chegar em algum lugar sozinha, de sentar em um restaurante, fazer um senhor pratão e comer na mesa sem companhia, meus amigos costumavam fazer uma quentinha da comida do restaurante e ir comer em casa, e achavam esquisito que eu preferia sentar ali mesmo e comer, ainda que sozinha. Ora, porque não?
Nunca tive problemas de sair sozinha para ir fazer compras no Shopping, nem de ir a eventos acadêmicos sozinha, mas não iria deixar de ir só porque meus amigos não iriam. Não tinha problemas de ficar sozinha em casa, sempre arranjava o que fazer, e sempre soube me fazer companhia.
Com o passar do tempo fui ficando meio sozinha, os amigos foram morar longe, eu fui morar longe da família, meus horários não batem com os de algumas pessoas que gosto de sair, mas nunca me senti solitária.
Hoje não, hoje me sinto SOZINHA, apesar de ter perto algumas pessoas queridas por perto. Acho que a solidão não é não ter as pessoas perto, mas o contrário, é tê-las debaixo das asas. Solidão é quando você não se adapta à certas mudanças, perde o bonde, e vive em uma outra dimensão, e eu perdi o bonde, ou me fizeram perder, não sei.
Solidão não é quando não se tem pessoas, mas quando não se tem significados, razão! Só não queria terminar como Clarice Lispector, pelas palavras de Caio Fernando de Abreu: "morreu sozinha, sacaneada, desamada, incompreendida, com fama de "meio doida”".
E era só!
